Sábado, Outubro 25, 2008
Metade de um dia no Liberdade, em São Paulo
Pode parecer besteira ou pouco tempo, mas para mim foi uma grande felicidade quando eu soube que ia ficar por algumas horas na cidade de São Paulo antes de ir para Guarapiranga.
Eu falei imediatamente, com os olhos brilhando para marido “Vamos ao Liberdade?”. Ele sorriu afirmando, sabia o quanto eu queria ir e conhecer o famoso bairro japonês.
A viagem para Sampa foi calma. Éramos quatro no carro e conversamos bastante para o tempo passar. Apesar do Rio de Janeiro ser perto, há muito eu não ia para São Paulo passear, desde os 10 anos, mas aí não conta porque devemos seguir roteiro dos pais e impor sua vontade de ir a um bairro japonês não é simples assim (sim, acho que desde os 8 ou 9 anos que queria conhecer a Liberdade).
Voltando ao presente... Chegamos e foi levantada a questão: Liberdade ou 25 de Março? Quase matei a todos ao ouvir a pergunta. Como assim? Eu quase falei que se quiserem fazer compras nos encontramos depois, afinal agora eu já posso falar que tenho idade para ficar sozinha. Acho que meu rosto foi a resposta para todos e fomos aonde eu queria.
Como chegamos na hora do almoço, Yoiti-sensei (tínhamos um legitimo guia japonês) andou conosco por algumas ruas e passamos pela Praça da Liberdade para comer. Fomos a um restaurante chinês e aí descobri que têm muitos restaurantes chineses e coreanos lá. Não fica preso somente ao lado japonês do oriente.
Agora entra a cena super-tragi-cômica, digna de Lulu.
Chegamos para comer e, como ficamos mais de seis horas na estrada, eu queria lavar a mão e o rosto. Sensei se levantou antes e foi ao banheiro e eu, carioca malandra, só vi a direção que ele foi e fui também. Banheiro feminino normalmente fica perto do masculino, certo? Errado! Dei de cara com uma única porta com os dois símbolos. Confusa olhei de volta para nossa mesa pedindo instruções. Eu devia estar com a duvida tão escrita no rosto que a primeira mesa (com garotos chineses) falou que tudo bem, era lá, estava certo.
Eu entrei meio incerta, cheia de dedos e cuidados. Eu fiquei muuuito sem graça com a cena. Era um banheiro unisex pequeno e as portas que separavam a pia (dividida) do vaso sanitário (cada um com o seu) eram baixas. Ou seja, dava para ver o dito cujo em pé. Morreeendo de vergonha eu molhei a mão e sai rapidamente, olhando para baixo e vermelha.
Marido não sabia que ficava irritado com os chineses da primeira mesa que ficaram me olhando ou ria da minha cara de vergonha. Ele decidiu por olhar feio para os caras e me abraçar, mostrando que eu sou uma mocinha comprometida. Quando os caras viraram a cara para a televisão ele decidiu que podia já rir de mim.
Pulando essa cena inesquecível, o almoço foi ótimo. Era mesa farta, gostosa e barata, e eu descobri que sei comer arroz com hashi (me senti A oriental).
Depois de comer pra burro fomos desgastar um pouco andando, entre as lojas e galerias, claro!
Tinha como encomenda, se encontrasse, um colar da Katara e uma luva da Rukia. Eu achei que ia ter dificuldades em achar lojas com objetos de cosplay, mas percebi que é algo que está aparecendo mais lá. Na primeira galeria já achei duas lojinhas, nenhuma com as encomendas, mas foi legal ver os objetos (quase tudo Naruto).
Alem de querer ver trecos e coisas de anime e manga, também procurei musica, shows e filmes japoneses, principalmente o que não consigo achar na internet, como shows do X-Japan. Achar links na internet não é impossível, mas você arrisca pegar algo que pode acabar com seu HD. Eu arrisco e até agora dei sorte, mas às vezes não tenho tanto tempo para procurar coisas mais raras. Estar em um lugar onde já tem isso gravado é óóótimo, apesar de não ter achado nada do X =( Mas achei da Utada Hikaru e Luna Sea =D
O que eu achei engraçado é algo que acontece muito quando eu entro em sebo de quadrinhos. Quando você pergunta algo mais detalhado os vendedores (normalmente homens) olham com aquela cara “Como você sabe?”. Tsc tsc tsc, se eles conhecessem todas as garotas de Amaterasu, iam ficar boquiabertos ;)
Voltando às compras, olhei taaanta coisa linda e fofa. Camisetas *_*, cordões *_*, vestidos *_*... Isso porque estou falando das coisas ocidentais, porque quando eu vi os kimonos e trajes orientais eu quase chorei pela beleza e por nem poder pensar em comprar (ainda!). Não se enganem: se eu comprar, eu vou usar! No Brasil! No Rio de Janeiro!
Não comprei tanta coisa, não tinha o colar da Katara e nem a luva da Rukia, mas peguei emails e sites das lojinhas que entregam no Brasil.
Outra coisa suuuper legal são os mercados. Aqui no Rio tem lojinhas especificas e, dependendo do bairro, difícil de achar muita variedade. Lá eu fiquei com vontade de comprar tanta coisa para provar, experimentar, doces diferentes, balas, biscoitos (acho que eram isso, era diferente)... Claro que não entendi nada que estava escrito, mas mesmo assim comprei ramen e chicletes. Quero provar para saber a grande diferença entre nosso miojo e o ramen deles!
Outra coisa que eu olhei e ri muito sozinha foi o desenho das calçadas de lá. Foi algo que eu vi do nada e fiquei frustrada porque não tinha com quem compartilhar. As calçadas da liberdade estão cheias de sharingans! Não agüentei e até bati foto para perguntar a outros se eu estava vendo demais ou viajando na maionese (imagina... eu nuuunca faço isso).
Andei somente um quarteirão entrando em todas as galerias e lojas e demorei só quatro horas, pronto acabou meu dia. Nem acreditei quando vi que estava na hora de ir, tinha mais coisas para ver e entrar e ficar... Mas estava com mais pessoas, não podia ser egoísta e bater o pé para ficarmos. Estava com minha bolsinha de compras e a máquina que bateu fotos e lembranças, não podia reclamar. Só ter ido essas quatro horas foi um presentão. E agora eu acho que já até posso voltar sozinha e me virar bem. Não ficar com aquela cara “Para onde ando?”.
Não fui a tantas lojas quanto queria nem vi exposição alguma, mas foi meu primeiro passo para voltar. Não vou me sentir uma estranha no ninho mais ao pensar em ir para São Paulo, já sei sair do hotel e ir ao Liberdade.
Fotos do Passeio

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